Barraginhas: tecnologia implementada no ES permite infiltração de água no solo

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AS BARRAGINHAS são tecnologias de baixo custo que contribuem para a recarga do lençol freático, preservam o solo e evitam erosões.

 

As Barraginhas implementadas recentemente já começaram a produzir os primeiros resultados. As recentes chuvas registradas no Espírito Santo encheram bacias de infiltração e contribuíram para a recarga do lençol freático em vários municípios. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e desenvolvido em parceria com a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh).

O sítio Floresta, do agricultor Pedro Paulo Colona, em Nova Venécia, foi a primeira propriedade particular do Espírito Santo onde foi construída uma Barraginha. Segundo o agricultor, o custo-benefício compensa: “a tecnologia é fácil, barata e permite a conservação de água e o posterior abastecimento das nascentes”.

“Com as primeiras chuvas, parte da água foi retida e ficou aqui na Barraginha. Passou o tempo e ela já baixou. Após 12 horas, ela tinha esvaziado e a água já tinha infiltrado todinha. Então, isso que a gente vê: a grande importância dessa tecnologia da bacia de infiltração de água”, disse o agricultor.

Até o próximo dia 20 de dezembro, serão implementadas Barraginhas nos municípios de Atílio Vivácqua, São Roque do Canaã, Laranja da Terra, Colatina, Mucurici, Pinheiros e Água Doce do Norte.

Unidades Demonstrativas

A primeira Unidade Demonstrativa do Projeto Barraginhas foi implementa na Fazenda Experimental do Incaper, em Marilândia. Também foram construídas duas curvas de nível em forma de cochos sucessivos para captar água da chuva em encostas íngremes. Ainda em Marilândia, foi realizada uma ação de divulgação do Projeto Barraginhas, com o objetivo de alcançar os produtores rurais dos municípios da região.

Na Fazenda Experimental do Incaper Bananal do Norte, situada no distrito de Pacotuba, em Cachoeiro de Itapemirim, foram construídas duas Barraginhas. Desde então, a unidade recebe estudantes, técnicos e produtores rurais interessados em obter informações sobre a tecnologia. As visitas proporcionam a capacitação e sensibilização das pessoas em relação ao projeto, fomentando a educação ambiental, a sustentabilidade e uma melhor conservação do solo e dos recursos hídricos.

Sobre o Projeto Barraginhas

O Projeto Barraginhas, concebido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em microbacias do Estado, tem como objetivo possibilitar a transferência e disponibilização da tecnologia social “Barraginhas”, por meio de ações de capacitações, adoção e multiplicação da tecnologia em microbacias do Espírito Santo. Serão implementadas pelo Incaper, em parceria com a Agerh, durante 24 meses, 12 unidades de referência, onde serão feitas as Barraginhas que servirão de modelo para os municípios.

Trata-se de uma alternativa simples e com resultados efetivos no aumento da disponibilidade hídrica em microbacias. Adaptável a diferentes realidades, a tecnologia irá captar a água das enxurradas e promover seu armazenamento no solo, evitando erosões, assoreamentos e contaminações ambientais, além de garantir o aumento do volume de água dos mananciais.

“A tecnologia é simples, de fácil aplicação e se adapta a diferentes realidades. Não importa se a propriedade é maior ou menor. Todas podem usar as Barraginhas para manter a água na propriedade e evitar que ela escoe, que se perca. O papel do Incaper é de atuar como um facilitador na transferência dessa tecnologia, permitindo que o produtor rural de base familiar no Espírito Santo tenha acesso às Barraginhas”, acrescentou Cíntia Bremenkamp,  extensionista do Incaper, que coordena os trabalhos.

A Agerh, parceira do Incaper na implementação do projeto, é a agência responsável pela gestão dos recursos hídricos no Espírito Santo e ajudou a trazer essa opção para o Estado.