Cerca de 6 mil mulheres foram atendidas pela Patrulha Maria da Penha em 2019 no ES

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LÍLIA mantém portas trancadas por medo de seu filho.

 

De janeiro a novembro deste ano, quase 6 mil mulheres receberam a visita da Patrulha Maria da Penha em todo o Espírito Santo. A ação visa resguardar a integridade de vítimas de violência doméstica.

Uma das mulheres atendidas pelo programa é a dona de casa Lília Rosa Fabrete. Ela pediu proteção depois de sofrer agressões por parte do próprio filho, que atualmente está preso por homicídio e envolvimento com o tráfico de drogas.

Com medo de que ele seja solto e volte a agredi-la, a dona de casa mantém a porta fechada com grades e cadeados.

“Passou a chegar em casa bêbado, drogado, e fazer bagunça, quebrava as coisas. Ele namorava uma menina, batia na menina, eu tinha que entrar no meio. O mais triste é que antes disso ele sempre foi um menino trabalhador. O que dói é o crime ter ganhado a vida dele. Uma mãe cria um filho com tanta luta, para anos depois ela receber um tapa na cara, um chute”, lembrou.

Depois de solicitar a medida protetiva, toda semana Lília recebe a visita dos policiais militares que fazem parte da patrulha Maria da Penha. “Eu consigo ficar mais tranquila, porque sei que, se eu eu ligar, eles vão vir. No máximo, quatro cinco minutos de demora”, disse.

Uma outra mulher, que preferiu não se identificar, também vive com medo do ex-marido, que não aceita o fim do relacionamento. Após muita violência física e psicológica, há quatro anos criou coragem e procurou a delegacia. Agora, pelo menos duas vezes por mês os policiais militares vão até a casa dela.

“De 15 em 15 dias eles vêm me visitar para saber como eu estou e se ele [ex-marido] tem se aproximado de mim. Depois que ele viu que a situação estava bem séria, ele se afastou de mim”, disse.

Visitas como essas são agendadas de acordo com o grau de risco da vítima. Em Cariacica, cerca de 100 mulheres que tem a medida protetiva são atendidas todo mês. Em todo o Estado, cerca de 6 mil foram atendidas este ano. Depois, todas as informações são repassadas à Justiça, como forma de prevenção à violência.

“É visando resguardar a integridade dessa mulher, a não reincidência de uma nova prática criminosa, entregar a ela uma sensação de segurança, e tirar a ideia de que eles está esquecida”, explicou a cabo Gabriely da Polícia Militar.

Este ano, pelo menos 29 mulheres foram vítimas de feminicídio. Em muitos dos casos, os ex-companheiros não aceitavam o fim do relacionamento. Para a polícia, as ferramentas de segurança oferecidas pelo Estado podem evitar esse tipo de crime.

“Nós não temos como prever e estar ali no exato momento da situação. Contudo, a partir do acionamento, da procura por uma delegacia, do contato com o 190, aí sim o mais rápido possível estaremos lá visando resguardar a integridade dela e evitar qualquer tipo de violência”, disse a policial.

Mesmo diante do medo, Lília garante que a melhor saída é denunciar e contar com ajuda. “Tenha coragem de ir lá e denunciar mesmo. Mesmo que seja seu filho, ele pode tirar a sua vida”, disse.
Fonte: G1/ES