Mais de 160 escolas possuem cerca de 10 alunos no Espírito Santo

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O secretário estadual de Educação, Vitor Amorim de Angelo afirma que isso já está sendo feito, mas que colocar em prática a readequação das redes de ensino é o maior desafio dos gestores nesse momento.

Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo desta segunda-feira (16), de Angelo explica que o contraste entre escolas lotadas e outras vazias, com vagas sobrando, é fruto de um processo de expansão da oferta de matrículas feito sem planejamento.

“Muitas vezes os municípios abriram matrículas repetidas pelo Estado ou vice-versa e o resultado foi, em muitos casos, escolas pequenas, com vagas sobrando. Olhar para esse problema com atenção é um objetivo nosso. Nós já temos feito isso”, afirma ele.

De acordo com o secretário, este ano foi repactuado o Pacto Pela Aprendizagem no Espírito Santo (Paes), um programa envolvendo o governo estadual e as gestões municipais.

“Explicitamente colocamos dentro da ação o reordenamento da rede para distribuir melhor as matrículas de modo que o ensino infantil e os anos iniciais do ensino fundamental fiquem com o município e os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio fiquem com o Estado”, explica ele.

No entanto, o secretário afirma que a situação está longe do desejado. “Ainda temos (o governo estadual) mais de 30 mil matrículas no fundamental 1. Isso é muito ruim porque cria em muitos casos essa sobreposição. A gente tem escolas em alguns lugares com alunos do primeiro, segundo, terceiro e quarto ano e o município também tem”.

No dia 5 de dezembro, pais fizeram um protesto contra o fechamento da escola estadual Professora Ilda Meireles Freire, em Boa Vista, Cariacica, que deixará de funcionar em 2020. Na instituição, havia cerca de 20 crianças estudando com apenas uma professora.

Vitor de Angelo afirma que a escola é um exemplo da necessidade de otimização da oferta de vagas e diz que a proposta é que os alunos sejam transferidos para uma escola a um quilômetro de distância, com bom desempenho no índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb).

“Estabelecer a parceria com os municípios não é a parte mais difícil. O difícil é fazer. A questão não fica só entre o governador e o prefeito ou entre o secretário de Estado e o secretário municipal. Quando nós desencadeamos um processo desses começa a haver uma série de atravessamentos. Políticos, lideranças locais, a própria família. Muitas vezes as pessoas entendem que o reordenamento é o mesmo que o fechamento de escolas. É um processo que precisa ser entendido pela sociedade”, conclui.